Sangue Negro é um filme difícil.

Paul Thomas Anderson é um dos diretores que eu mais adimiro e essa foi minha maior(senão a única) motivação para comprar o ingresso, já que eu não acreditava que petróleo me manteria “alí” por 2 horas e meia. Puro preconceito meu.
A sequência inicial já mostra a que veio. Não espere o mesmo PT Anderson de outrora. A fotografia (tão caracteristica nos outros títulos do diretor) tem um cuidado único e grita a diferença. O ocre toma a tela de uma forma tão bela quanto no título nacional Abril Despedaçado. A ausência de fala nesse início nos apresenta Daniel Plainview (personagem de Daniel Day-Lewis), e sua determinação e sorte vão mudar o rumo da sua história. O corte é feito para anos depois, Daniel agora faz um discurso que nos mostra que sua realidade é outra (o close no ator durante o discurso é talvez a tomada que mais lembre o PT de antes).
A trama mostra as agruras do processo de extrasão do petróleo, e a ambição do Sr. Plainview vai crescendo junto a quatidade de barris que ele extrai. E a tradução nacional do título começa a fazer sentido, pois o sangue vai se misturan ao petróleo em vários momentos.
A entrada do(s) personagen(s) gêmeos – Paul e Eli Sunday – é confusa e é o unico senão do roteiro na minha opnião. Não há diferença entre eles. Poderia creditar esta falha ao ator Paul Dano, mas a sequência em que Eli exorcisa uma senhora com problemas de saúde é uma das mais belas de todo o filme.
Mas eu só estou comentando o que eu vi, porque se eu começar a descrever o que ouvi (ou não), falarei então do maior mérito do filme: a trilha. A trilha é esquisita, eu concordo. É também cansativa as vezes, eu concordo. Mas é dela o mérito dos momentos de maior tensão e conexão com quem está assistindo. Como durante explosão da torre, que se casa com a descoberta da surdês do filho. Foda demais.
O saldo final é positivo. Mas é preciso disposição e atenção para se aventurar nesta história que vai extrair de você questionamentos sobre fé e ambição.